Porque vamos nos abster nos acordos do Itaú.

A negociação referente a CCT 2018/2020 inaugurou uma prática que se tornou recorrente no movimento sindical bancário, de se chamar assembleias para deliberar assuntos do interesse da categoria, sem que seja dado aos bancários e, até mesmo aos dirigentes, o conhecimento dos termos da negociação e o acesso ao documento final (CCT, acordos aditivos, o que for).

O advento da pandemia e o imprescindível isolamento social por ela provocado forçaram os trabalhadores a realizar assembleias de forma virtual, abrindo margem para um desvirtuamento desse processo com a utilização de meras consultas, como se assembleias fossem, sem espaço para o devido debate, esclarecimentos e todo o ritual democrático que caracteriza uma assembleia de trabalhadores.

No caso dos acordos com o Itaú, objeto da consulta de momento, temos dois questionamentos adicionais a fazer:

1) De acordo com documento preliminar ao qual tivemos acesso, por que cobrar a contribuição sindical, de novo de maneira compulsória, se já foi cobrado, quando do recebimento da PLR, e a PCR, como o próprio nome diz, é um pagamento complementar?

2) Quando o movimento irá resolver a situação daqueles bancários que hoje se encontram com saldo de horas negativas, na casa das centenas de horas devedoras, horas essas impagáveis?

Estamos renovando o acordo de compensação de jornada, sem solucionar o problema, apenas ampliando o prazo de compensação e o acordo original prevê a possibilidade de desconto pecuniário, o que seria inaceitável.

Aqui, vale lembrar que muitos bancários sofreram descontos em seus salários no mês de janeiro, em função da confusão provocada pela não resolução do problema.

Diante do exposto, dada a insegurança provocada pela forma como foi conduzida a negociação, por discordarmos do desconto sobre a PCR, mas considerando que a PCR e o auxílio-educação são conquistas históricas dos bancários do Itaú, o Enfrente delibera por se abster da votação e exorta a Contraf e os Sindicatos a repensarem a condução das negociações, a forma de consulta aos bancários, a reverem o  caráter compulsório da contribuição sindical e a buscarem uma solução definitiva para o problema do saldo de horas negativas que tanto aflige um segmento importante da categoria.

Publicado por Enfrente

A Frente Nacional de Resistência e Ação Sindical Bancária (EnFrente), defende os princípios de um sindicalismo democrático, classista, autônomo, de massas e de luta. Queremos radicalizar a democracia e buscar uma forma horizontal de construção de lutas, pautas, mobilizações e enfrentamentos aos ataques contra os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.

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