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MANIFESTO DO ENFRENTE PARA O LANÇAMENTO DA CAMPANHA NACIONAL DOS BANCÁRIOS 2018

A Campanha Nacional dos Bancários de 2018 teve início com antecedência se comparada ao calendário tradicional,  com a realização dos encontros por bancos (BB, Conecef e Privados) e a Conferência Nacional dos Bancários, entre os dias 7 a 10 de junho, por conta da Reforma Trabalhista que diz não mais haver a ultratividade das Convenções e Acordos Coletivos.  No dia 13 foi entregue a pauta de reivindicações para os bancos. A primeira negociação será no dia 28 de junho e estão previstos mais três encontros em julho.  Essas tratativas irão se  desenrolar num cenário que pode ser encarado de duas maneiras:

  1. A) Os bancários poderão ter dificuldades nas negociações diante da crise econômica brasileira e, sobretudo, da conjuntura política, que já flexibilizou o caminho para retirada de direitos, via aprovação da reforma trabalhista e a nova lei de terceirização.
  2. B) Mesmo com a crise econômica e política, os bancos continuam multiplicando os seus lucros. Só os cinco maiores bancos do país – onde trabalham mais de 80% dos bancários – tiveram lucros de R$ 77 bilhões no ano passado, 33% a mais que em 2016. Situação que se mantém este ano: segundo os últimos balanços divulgados, os cinco maiores bancos tiveram quase R$ 21 bilhões de lucro de janeiro a março, 20% mais que em igual período de 2017.

É claro que este lucro bilionário não significa que os bancos vão facilitar as negociações com os bancários. Pelo contrário, nossa categoria nunca conquistou nada de graça, todos os nossos direitos foram frutos de muita luta. Mas também não podemos admitir o cenário derrotista causado pelas crises econômica e política que nem afetaram os bancos. É preciso lembrar que outras categorias, com a força da mobilização e da luta, já garantiram a assinatura de acordos sem nenhum direito a menos, como foi o caso dos Metroviários/SP e dos Professores/SP. Os caminhoneiros também apontaram o caminho certo da mobilização. Outro indicador  muito positivo é a negociação em curso, envolvendo sindicatos dos bancários e a Fenacrefi, representando os financiários, que têm data base em 1 de junho. Na primeira rodada, os patrões (banqueiros) mantiveram a ultratividade, ou seja, a validade da atual Convenção Coletiva até a assinatura da próxima, asseguraram a recomposição salarial pela inflação acumulada, além de pela primeira vez concordaram em estender os direitos da Convenção para uma série de trabalhadores que realizam operações de crédito, mas até então eram excluídos desse reconhecimento. Grande conquista para nosso setor.

Para o EnFrente, os bancários terão muitos desafios nesta campanha que está começando. Mas, com muita luta, estratégia e, principalmente, ousadia nas negociações e nas mobilizações, conseguiremos sair vitoriosos no embate com os bancos. Não apenas mantendo os direitos, o que é fundamental, mas ampliando as nossas conquistas.

Mais do que nunca precisamos priorizar nossa estratégia vitoriosa e retomar nossa pauta por aumento real dos salários, valorização dos pisos, melhorias na PLR, defesa do emprego e por melhores condições de trabalho, combatendo o assédio moral e as metas.

Se por um lado estamos apontando dificuldades para nós trabalhadores, causadas por medidas aprovadas pelo (des)governo Temer com total apoio dos empresários, cada vez fica mais claro quem tem se beneficiado e quais seus custos para a sociedade, sendo os mais graves o aumento do desemprego e a precarização do trabalho. Sobram incertezas econômicas, agora somadas a uma série de incertezas jurídicas causadas pelas reformas. Sem a prometida retomada de crescimento econômico, vemos a volta crescente da inflação  pelos sucessivos reajustes dos combustíveis, energia elétrica e por pressões no câmbio principalmente, e apesar das reduções na taxa Selic, os juros na ponta para os consumidores não caem. A situação fiscal da união, estados e municípios não melhora, dificultando a retomada dos investimentos.

Enquanto a grande maioria dos setores produtivos perde, só os bancos continuam ganhando. E em ano eleitoral, fica difícil para os candidatos representantes do grande capital financeiro,  continuarem a sustentar esse modelo econômico. Nossa campanha também deve servir para abrir esse debate com a categoria e toda sociedade. Outra questão recente e importante, é a concorrência que o sistema tradicional bancário começa a enfrentar com as chamadas Fintechs e bancos 100% digitais. Nesse cenário, temos que ficar atentos às metas apresentadas e nos impactos que essas novas tecnologias estão imprimindo no emprego, na saúde e na busca por resultados.

Para os bancos públicos, precisaremos também enfrentar as alterações impostas na forma de custeio dos planos de saúde, reforçadas pela divulgação da Resolução 23 da CGPAR, pela defesa do Saúde Caixa e a solidariedade na Cassi,  e contra a sanha privatista que ronda o conjunto das empesas públicas, seja através da  proposta de abertura de capital da Caixa ou como já apresentado por diversos candidatos à presidência, a privatização direta do BB, Caixa, BNB, Banco da Amazônia, BNDES e os estaduais restantes – Banrisul, Banestes, BRB, Banpará e Banese.

A Contraf e os sindicatos têm imensa responsabilidade na condução das negociações com os bancos e nos seus resultados, sobretudo no que diz respeito ao efetivo exercício da unidade que, embora complexa, será determinante para um desfecho favorável da Campanha Nacional dos Bancários, particularmente, nesse ano. Mas os bancários também precisam fazer a sua parte, se envolvendo na campanha, participando das atividades de mobilização e de uma eventual greve.

O EnFrente vê essa campanha com muito otimismo. Acreditamos que podemos garantir muitas vitórias, não só na parte econômica, como nas diversas outras questões que nos afligem, como por exemplo no combate às exigências por  metas, o assédio moral, a insegurança bancária, e também no debate com a sociedade sobre outro papel para os bancos, que seja inclusivo e indutor do desenvolvimento econômico. Para isso, os bancários precisam fazer o que mais sabem: lutar. Juntos, precisamos romper com o imobilismo que vem dominando a cena nacional e lembrar que a história da nossa categoria é de luta. Por isso nossos direitos e conquistas são referência para os demais trabalhadores do Brasil.

Após a assinatura da CCT por 2 anos e passarmos o ano de 2017 sem movimentações da campanha nacional, chegou a hora de voltarmos às ruas. O EnFrente está ao lado dos bancários para encarar e vencer todos os desafios que virão pela frente nas próximas semanas.


EnFrente – Frente Nacional de Resistência e Ação Bancária 

 

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