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Requião propõe na Conferência dos Bancários referendo sobre reforma trabalhista

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) defendeu durante participação na 19ª Conferência Nacional dos Bancários a realização de um referendo popular para revogar todas as leis aprovadas no governo de Michel Temer (PMDB) à revelia dos interesses e vontade da população.

“Temos que liquidar todas essas leis que sem a autorização da população brasileira foram votadas por um congresso que não tem legitimidade para implantar um sistema que está moribundo na Europa e que hoje pede asilo para vir morrer no Brasil. Por isso é preciso submeter essas reformas a referendo nacional”, disse Requião.

O senador destacou que 95% da população é contra a reforma trabalhista, da Previdência e toda a política neoliberal que está sendo praticada no país. “Os 5% que ficaram do outro lado não são invencíveis”, disse.

Requião endossou assim proposta apresentada pelo EnFrente na Conferência Nacional dos Bancários, que já havia sido aprovada pela CUT do Rio Grande do Sul.

Para Requião, Michel Temer é um fantoche do Bradesco, do Itaú e dos bancos internacionais, a serviço do capital especulativo na condução do golpe e de que é resultado a reforma trabalhista.

O senador paranaense falou na Conferência como palestrante na mesa que discutiu as contrarreformas do governo Temer.

Reforma aprofunda desigualdades

Da mesma mesa participou a professora Daniella Muradas, da UFMG, para quem a reforma trabalhista é machista, misógina, racista e neocolonialista, vindo na esteira do golpe que depôs uma presidente eleita.

“Essa reforma, que na verdade deforma, ataca principalmente mulheres, jovens e negros e aumenta ainda mais as distâncias que já temos entre esses segmentos”, sublinhou, reforçando o que o senador afirmou, de que ela também faz parte do golpe. “Golpe que é do Eixo Norte contra o Eixo Sul, dos países do Atlântico Norte contra os do Sul”.

Ela prosseguiu ressaltando que as mudanças estruturais que virão com a reforma trabalhista acabam com o arcabouço jurídico que protege a classe trabalhadora, invertendo a lógica originária da legislação trabalhista, que é anterior ao trabalhismo de Getúlio Vargas da década de 30. “Quando se fala na ruptura da CLT, estamos falando na ruptura de lutas históricas de setores mais organizados, como a categoria dos bancários. Os trabalhadores foram alijados do processo e foi destruída toda a luta por direitos”, atestou.

A professora também fez duras críticas ao judiciário, em particular à postura adotada pelo Tribunal Superior do Trabalho e pelo Supremo Tribunal Federal, o qual, afirmou, está capitulado e negocia a interpretação que será dada à legislação que regula as relações de trabalho.

A saída, segundo a acadêmica, passa por um novo projeto de sindicalismo, que chamou de sindicalismo em rede, que faça a defesa de todos os trabalhadores, sem exceção, e que o país retome a via da democracia.

Com Rede Brasil Atual, Fetec-CUT/CN e Seeb Brasília

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