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Quando Rodrigo Maia fala, Pedro Guimarães baixa as orelhas?

O silêncio do presidente da Caixa Pedro Guimarães frente às declarações do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM/RJ), veiculadas pelo programa Poder em Foco do SBT em 13/10/2019, não poderia ser mais eloquente. O silêncio de Pedro Guimarães frente ao grave ataque sofrido pela Caixa diz exatamente quem ele é – um agente do sistema financeiro privado – e o que veio fazer – dobrar a Caixa aos interesses do capital financeiro privado.

Como pode Rodrigo Maia dizer que a Caixa “toma” R$ 7 bilhões ao ano dos trabalhadores na taxa de administração do FGTS e não haver nenhuma nota ou declaração do presidente da Caixa? Isso é inadmissível!

O EnFrente manifesta seu repúdio à postura entreguista e desrespeitosa de Pedro Guimarães que, ao se omitir na defesa da Caixa, passa ao conjunto da sociedade brasileira a falsa ideia de que Rodrigo Maia tem razão em defender que bancos privados passem a administrar o FGTS em troca de, supostamente, reduzirem a taxa de administração.

Ao escolher silenciar frente à fala de Rodrigo Maia, que chegou ao disparate de defender que Caixa e Banco do Brasil deixem de operar como bancos comerciais e se limitem a atuar como agências de fomento, Pedro Guimarães se mostra indigno do cargo que ocupa, indigno do corpo de empregadas e empregados da Caixa e coloca em risco a confiança que as trabalhadoras e os trabalhadores brasileiros têm na instituição Caixa.

O EnFrente também repudia a narrativa capciosa de Rodrigo Maia, que atacou não apenas a Caixa, não apenas a gestão do FGTS, o que por si só já seria gravíssimo, mas atacou o papel social do FGTS estabelecido na Lei 8.036/1990.

Os recursos do FGTS devem, por força de lei, ser aplicados em habitação, saneamento básico, infraestrutura urbana e em operações de crédito destinadas às entidades hospitalares filantrópicas, além de instituições que atuam no campo para pessoas com deficiência, e sem fins lucrativos que participem de forma complementar do SUS.

O programa de aplicações definido em lei estabelece que a habitação popular receba no mínimo 60% dos investimentos e as operações de crédito destinadas às entidades hospitalares filantrópicas e às instituições que atuam no campo para pessoas com deficiência recebem no mínimo 5% dos recursos.

Rodrigo Maia, cumprindo um papel de representante dos grandes interesses dos banqueiros privados, joga sujo com os trabalhadores na entrevista: ao mesmo tempo que sugere, sem nenhum respaldo na realidade, que os privados administrariam o FGTS a taxas muito menores que a paga à Caixa, deixa implícito que vislumbra dar aos privados a benesse da administração do fundo sem as obrigações sociais do fundo. Ora, mas aí nem que administrassem de graça serviria para a nossa sociedade!

Maia despreza a inteligência e a capacidade de discernimento dos trabalhadores e trabalhadoras quando, não satisfeito em confundir ao contrapor o FGTS como é hoje com um cenário de absoluto descompromisso social em favor dos lucros privados, ainda rebaixa o nível da sua já deficiente argumentação ao afirmar que “não é justo que a gente tenha o recurso do trabalhador que tem carta marcada pro setor de construção ou pro setor de saneamento, hoje não precisa mais disso”.

E ainda afirma que “não é justo que o trabalhador que faz que é sócio de um fundo enorme, bilionário, que é o FGTS, o dinheiro dele renda e faça subsídio da construção civil da casa de outras pessoas”.

Talvez se o presidente da Câmara experimentasse pisar em lugares mais distantes do mármore e do carpete do plenário e dos gabinetes, veria a dura realidade do povo que enfrenta um déficit habitacional de quase 8 milhões de moradias. Talvez veria a mazela de 35 milhões de pessoas que não têm acesso à água tratada, sendo que a ausência de esgoto atinge muito mais gente, são 95 milhões de pessoas.

Rodrigo Maia deveria tentar dizer diretamente para essas pessoas, lá onde vivem, que  “hoje não precisa mais disso” de usar o FGTS para produzir moradia e fazer saneamento.

 

 

 

 

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