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Protesto dos bancários da Caixa em Pernambuco exige o fim da reestruturação

Os bancários da Caixa agitaram o país com uma série de protestos nesta terça-feira (15/8) contra a nova reestruturação promovida pelo banco. O Dia Nacional de Luta foi proposto e organizado pela recém-criada Frente Nacional de Resistência e Ação Bancária (EnFrente). Durante as manifestaçõesos trabalhadores exigiram da Caixa suspensão da reestruturação. 
 
Em Pernambuco, os bancários realizaram um ato em frente à Gifug (Gerência de Filial do FGTS) no início da tarde. Antes do protesto, os diretores do Sindicato e membros do EnFrente, Jaqueline Mello e Renato Brito, realizaram reuniões com os empregados da Gifug e da Gipes (Pessoas), duas das gerências mais afetadas pela reestruturação no Estado. 
 
“Estes dois departamentos serão extintos em Pernambuco e a Caixa ainda pretende fundir a Gifab (Bolsa Família e Benefícios Sociaise a Gigov (Governo), reduzindo o quadro de funcionários nos dois setores. Os bancários das áreas atingidas pela reestruturação estão mobilizados e reagindo com muita luta. Eles correm sério risco de perder a comissão, aliás, isso já está acontecendo na Gigov. Fora o fato de não sabem para onde serão remanejados”, explica Jaqueline. 
 
Segundo ela, a participação dos bancários no protesto foi muito forte. Os empregados da Gifug, por exemplo, foram trabalhar neste Dia Nacional de Luta vestidos de preto. Tanto lá como na Gipes, os bancários aproveitaram as redes sociais para exibir seu protesto, com fotos empunhando cartazes que denunciavam os ataques que o governo federal vem promovendo contra a Caixa, seus empregados e a sociedade em geral.  
 
Para Renato Brito, esta reestruturação faz parte da estratégia do governo federal de sucatear as empresas públicas para privatizá-las em seguida. “Já assistimos essa história nos anos 90. A ideia do governo é privatizar todos os bancos e empresas públicas para fazer caixa e, também, agradar ao mercado. Há uma série de planos de demissões voluntárias (PDV) nos bancos públicos, que estão tendo seu quadro de funcionários reduzidos ao extremoMuitos empregados, aliás, estão aderindo aos PDVs por causa do clima de terror instalado nas empresas públicas. A sobrecarga de trabalho dos bancários e a falta de funcionários têm prejudicado toda a população. E estas reestruturações agravam ainda mais a situação, criando o ambiente propício para vender os bancos”, explica. 
 
O delegado sindical da Caixa e integrante do EnFrente, Isaias Santos, destaca que a luta contra a reestruturação da Caixa não é só dos bancários dos departamentos atingidos. “Ninguém sabe qual será o próximo ataque do governo federal. Por isso, todos os empregados da Caixa e a sociedade em geral devem ingressar nesta luta para defender o banco, que é patrimônio do povo brasileiro”, diz Isaias. 
 
Mobilização – Nos últimos dias, Jaqueline e a também diretora do Sindicato e integrante do EnFrente, Anabele Silvarealizaram reuniões com os empregados afetados pela reestruturação para discutir estratégias e organizar os trabalhadores para enfrentar mais este ataque ao banco. Anabele, que também é diretora da Fenae, a federação nacional das associações de pessoal da Caixa, participou dos protestos do Dia de Luta em Brasília. 
 
Segundo elaoatos de terça só foram realizados por pressão dos membros do EnFrente. “Foi uma proposta que apresentamos na assembleia realizada pelo Sindicato no dia 9 de agosto”, conta. “Este grupo EnFrente foi criado recentemente por bancários e diretores dos sindicatos de todo o país, que estão descontentes com os rumos do movimento sindical. Aqui em Pernambuco, nós, dirigentes, que discordamos da presidência do Sindicato, somos excluídos das reuniões e hostilizados pela tropa de choque formada por diretores mais interessados em seus projetos pessoais e trocas de benesses do que nos bancários. Para combater este tipo de sindicalismo e construir um movimento sindical realmente democrático é que criamos o EnFrente“, detalha Anabele. 
 
Renato explica que a ideia da Frente para combater a reestruturação da Caixa é realizar uma Campanha Nacional com uma agenda de lutas intensas que denuncietambémdesmonte dos demais bancos públicos. “Infelizmente, a maioria dos sindicatosinclusive o nosso, não estão reagindo a altura dos ataques que os trabalhadores estão sofrendo com este governo. Aqui, no Sindicato de Pernambucotivemos de fazer uma grande pressão interna para conseguir promover este Dia Nacional de Luta e para que o departamento jurídico ingressasse com ações na Justiça em defesa dos empregados da Caixa”, conta Renato. 

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