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Proposta do BB para a Cassi. É bom pra quem?

Martha Tramm

Pois quem ganha mais é quem pode pagar mais sem comprometer a sua subsistência e da sua família; no entanto, quem ganha menos, vai ficar fora, é questão de tempo. Começa tirando aquele que precisa menos, até não aguentar pagar mais e pedir pra sair.

Esse filme está em cartaz, chama-se GEAP, segunda intervenção e em processo de extinção, simplesmente porque autorizaram as mudanças em curso na Cassi.

Tem alguém aí que confia plenamente no banco e vai abrir mão do contrato vigente, chamado estatuto social, para desonerar o BB, porque ele não está satisfeito em crescer 20% ao ano com a exploração de seus trabalhadores que são a força motriz dessa instituição que estão querendo destruir?

Ainda, se fizermos isso, estaremos facilitando a privatização do banco, ou será que ninguém está entendendo o cenário atual?

Ficamos 8 anos sem aumento, mudou o plano de carreira, inviabilizando o crescimento salarial, beneficiando o empregador e prejudicando o trabalhador e como consequência retirando recursos da Cassi.

De quem é a responsabilidade?

Destruiu a sede da Cassi localizada num setor hospitalar concorridíssimo em Brasília, que tinha amplo espaço para atendimento próprio, sem custo extra e com várias especialidades. Ela foi transformada num estacionamento.

Será que isso gerou perdas e custos indevidos para a Cassi?

De quem é a responsabilidade?

Além disso, a gestão financeira sem tecnologia para suportar as mesmas práticas de eficiência financeira e operacional adotadas pelo banco geram perdas significativas para a Cassi.

De quem é a responsabilidade?

Realiza troca de gestores constantemente, que são nomeados para o cativeiro premiado, gerando a descontinuidade negocial, pois a Cassi é o estaleiro para aposentadoria majorada.

De quem é a responsabilidade?

Ataca a saúde do trabalhador e ao programa Estratégia da Saúde da Família, para o qual já se comprometeu duas vezes em investir no programa, mas não honrou a promessa, embora tenha havido aumento de contribuição pra isso.

De quem é a responsabilidade?

O banco fez um cálculo atuarial errado e nos garantiu que o aporte extraordinário iria resolver a questão do déficit, mas não foi suficiente, nem para o primeiro ano.

De quem é a responsabilidade?

Explorou a força de trabalho dos seus trabalhadores, de forma ilegal, ou seja, sem o correspondente pagamento de horas extras, muitas prescritas, o que reduziu a contribuição para a Cassi, mas beneficiou o banco.

De quem é a responsabilidade?

Mas graças à luta sindical, alguns anos serão  indenizados, após o julgamento das ações coletivas, em curso.

Essa perda impactou e impacta a Cassi, mas beneficiou e beneficia o banco.

De quem é a responsabilidade?

Aquelas horas extras que ainda estão vigentes são negociadas por meio de uma CCV rebaixada, em média, 10% do valor, sem aporte à Cassi e à Previ, reduzindo o custeio, de novo.

De quem é a responsabilidade?

Incorpora bancos e trata os seus novos trabalhadores com direitos rebaixados, sem Cassi, atacando o custeio, e vai analisar a possibilidade de inclusão na Cassi se aceitarmos a retirada dos nossos direitos.

Ainda joga uns contra os outros.

Será que é ético?

De quem é a responsabilidade?

Contrata funcionários e quer deixar sem Cassi, reduzir o custeio e impedir o ingresso de população jovem para suportar o pacto de gerações.

De quem é a responsabilidade?

Por que o banco ataca tanto a Cassi e seus funcionários?

Pensei que os colegas do banco fossem colegas, mesmo aqueles que alcançassem os cargos mais altos, mas infelizmente parece que o poder transforma tudo, até a essência humana, a fraternidade e o espírito humanitário.

Será que isso é verdade?

As cartas estão na mesa e essa mesa que é a única fonte de esperança e confiança desses trabalhadores não pode aceitar ser tratada com desrespeito, desprezo e humilhação, pois essa mesma mesa apresentou uma proposta de consenso com todas as entidade, inclusive com participação técnica da Cassi, elaborada de forma justa, factível e com cálculo atuarial correto, atendendo a todos e o banco não apreciou, não respondeu, jogou na gaveta.

Mas queremos e merecemos ser tratados com dignidade e continuamos aguardando a resposta, pois essa é a nossa proposta.

Problema financeiro se resolve com aporte de dinheiro e gestão e para isso não existe necessidade de alteração do estatuto, que está sendo usado para retirada de direitos.

Não vamos aceitar que o banco tire da cartola um atestado de óbito, e sem data certa em nome da Cassi para que os associados assinem, apesar da consulta feita e rejeitada por ampla e acachapante maioria dos associados. O banco insiste, nos coagindo da forma mais cruel, atacando nossa saúde e direito a um tratamento digno, quando adoecermos, tudo isso, em nome do capital.

Precisamos é de mobilizar a base para manifestar o desagrado e esclarecer o que está em jogo: tudo em troca de nada.

Não aceitamos essa proposta. Ela não representa os associados, quebra a solidariedade, retira nossas garantias, reduz o salário/aposentadoria e facilita a privatização do banco.


Martha Tramm
, diretora do Sindicato de Brasília

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