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Professores da rede privada de SP derrotam reforma trabalhista, mantêm CCT e conquistam 3% de reajuste

Com uma greve de 24 horas que paralisou mais de 100 escolas em toda a cidade, os professores da rede particular de ensino do município de São Paulo conquistaram nesta terça-feira 29 um acordo que mantém todos os direitos contidos na Convenção Coletiva de Trabalho, além de reajuste de 3% e participação nos lucros ou resultados de 15%.

A proposta negociada durante a greve entre o sindicato dos professores (SinproSP) e o sindicato das escolas (Sieeesp) foi aprovada por uma grande assembleia, que reuniu mais de três mil professores e foi realizada na rua em frente à sede do sindicato.

A categoria, contudo, decidiu manter estado de greve até a quarta-feira 6 de junho, às 18h, quando será realizada nova assembleia no Sindicato. Se até lá não houver a formalização do acordo, a assembleia pode deliberar pela decretação de nova greve. Encerrada a assembleia, os professores seguiram em passeata até o Masp, na avenida Paulista.

A campanha salarial mostrou uma mobilização histórica da categoria e colocou a reforma trabalhista na ordem do dia.

Luta histórica

“Foi uma luta histórica, mas ainda não acabou. Também foi aprovada em assembleia, por mais de três mil professores, que se os patrões não assinarem o acordo na próxima semana nós iremos parar outra vez na próxima quarta-feira (6)”, afirma Silvia Barbara, diretora do pelo Sindicato dos Professores (SinproSP).

A principal pauta da categoria na campanha salarial em andamento é manter as cláusulas sociais, como férias de 30 dias remuneradas e bolsa de estudo para os filhos dos professores, entre outros, que estavam ameadas porque o sindicato patronal queria retirar direitos conquistados alegando que estavam seguindo a nova legislação aprovada com a reforma trabalhista.

“A Convenção, construída por mais de 20 anos, é muito importante porque regulamenta desde a admissão até o processo de demissão do professor. Depois da aprovação da reforma trabalhista, os patrões decidiram modificar ou acabar com 40% dos direitos adquiridos”, disse Silvia. “Os professores saíram daqui bastante felizes.”

Apoio dos pais e alunos

O movimento também agradeceu o apoio de pais, mães, alunos e entidades sindicais, como a CUT, que apoiaram a mobilização dos professores e professoras pela manutenção dos direitos e reajuste de salário.

Pais e alunos das escolas onde as aulas foram paralisadas se expressaram nas redes sociais a favor do movimento grevista, que triplicou em menos de uma semana. No dia 23 de maio, quando aconteceu a primeira paralisação da categoria, 33 escolas pararam suas atividades. Nesta terça-feira, mais de 100 escolas não abriram.

Para o diretor executivo da CUT, Júlio Turra, “só a luta dos professores da rede particular – paralisando mais de 100 escolas na capital neste 29 de maio –foi capaz de dobrar a intransigência dos tubarões do ensino e prolongar por mais um ano a atual convenção coletiva, assegurando os direitos nela contidos”.

Ele, que também é professor, informou que nesta quarta-feira (30), outros sindicatos da base da FEPESP (federação estadual da categoria), como o Sinpro-ABC, também em estado de greve, farão assembleias para colocar a proposta patronal em votação.

“É uma vitória também contra a malfadada “reforma trabalhista” do golpista Temer, que pretendia ter acabado com a ultratividade dos acordos e convenções coletivas –  mecanismo que antes garantia a manutenção do ACT por tempo indeterminado se houvesse recusa na negociação por parte do empregador”, finalizou Julio.

 

Com informações do SinproSP e da CUT Nacional

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