Categorias
Notícias

‘Precisamos reagir com vigor à nova reestruturação da Caixa’

Os empregados da Caixa estão em pânico com a nova reestruturação anunciada pelo banco. Em Pernambuco, as mudanças vão extinguir setores importantes da empresa, deixando centenas de bancários com o futuro incerto.

Nos últimos dias, as diretoras do Sindicato Jaqueline Mello (secretária de Finanças) e Anabele Silva (secretária de Formação) realizaram uma série de reuniões com os empregados afetados pela reestruturação para discutir estratégias e organizar os trabalhadores para enfrentar mais este ataque ao banco.

“Precisamos reagir porque a reestruturação vai afetar diretamente a vida dos bancários. Ninguém sabe para onde será transferido e nem como ficarão suas comissões. As mudanças estão sendo feitas sem transparência alguma”, explica Anabele. “O Sindicato precisa construir, junto com os bancários, um calendário de lutas e ações de resistência”, completa.

Setores afetados

Os principais departamentos afetados pela reestruturação em Pernambuco são a Gifug (Fundos de Governo), Gipes (Gestão de Pessoa), Gifab (Bolsa Família e Benefícios Sociais) e Gigov (Governo). “Estes são os setores que foram informados pela Caixa até agora, mas as outras áreas meio também estão apreensivas, sem informações”, diz Anabele.

Segundo o banco, a Gipes e a Gifug serão extintas em Pernambuco. A ideia da Caixa é acabar com a Gipes até novembro e com a Gifug até março. A Gifab deve ser reduzida e incorporada à Gigov, que também será redimensionada para baixo.

Jaqueline ressalta que os bancários estão apreensivos. Segundo ela, a Caixa apenas enviou uma circular anunciando as mudanças e pediu para os bancários atualizarem seus currículos. Ninguém sabe para onde será realocado.

“Estamos pressionando para que o Sindicato e a Contraf-CUT promovam ações pontuais de mobilização e, sobretudo, coloquem seus departamentos jurídicos para entrar com ações na Justiça, visando atenuar os prejuízos aos bancários com a possível perda de comissões e realocação”, explica Jaqueline.

Outra frente de ação que Jaqueline propõe é que o Sindicato e a Contraf ampliem a campanha em defesa dos bancos públicos para que ela, de fato, chegue aos bancários e à população em geral.

“Precisamos conscientizar os bancários de que esta reestruturação é parte de um processo de desmonte da Caixa e das demais empresas públicas que está sendo promovido pelo Governo Federal. O Sindicato tem de mobilizar as pessoas nesta luta, pois mesmo os setores que não foram atingidos agora pela reestruturação estão em risco. Esta luta é de todos, dos bancários e da sociedade, não só dos empregados envolvidos nessas mudanças”, afirma Jaqueline.

Comissões em risco

A possibilidade de os bancários afetados pela reestruturação perderem a comissão é real. Atualmente, quem recebe a comissão há pelo menos 10 anos e for afetado pela reestruturação teria o direito de incorporá-la ao salário. Mas a reforma trabalhista do governo recém aprovada pelo Congresso Nacional acaba com este direito.

“A Caixa garantiu em normativo interno que vai agir de acordo com a legislação vigente. Mas a reestruturação será concluída quando a reforma trabalhista já estará em vigor, ou seja, as comissões não serão incorporadas. O clima nos setores afetados é de pânico generalizado”, relata a secretária de Comunicação do Sindicato, Daniella Almeida.

Desmonte da Caixa

O diretor do Sindicato e funcionário da Gigov, Dinarte dos Santos, destaca que o que está em curso é um verdadeiro desmonte da Caixa. “O Governo Federal está claramente acabando com a Caixa, para privatizá-la e entregá-la ao mercado em troca de apoio político”, diz.

A reestruturação, segundo Dinarte, não afeta apenas os bancários, mas toda a sociedade, já que prejudica os serviços ligados ao FGTS e aos programas sociais e de habitação. “A gerência do FGTS, por exemplo, tem hoje 16 filiais espalhadas pelo Brasil. O governo quer deixar apenas cinco, nenhuma no Norte e Nordeste. O FGTS é um patrimônio do trabalhador e sua gestão vai ser prejudicada, sem dúvida nenhuma”, explica.

A área de Gestão de Pessoas, cuja filial de Pernambuco atende a quatro estados, também será eliminada na região. “O ideal era que houvesse uma unidade por estado, mas, em vez de ampliar, o governo está acabando com as filiais. Vale lembrar que a Gipes é a área que daria suporte aos empregados atingidos pelas mudanças, mas ela própria será reestruturada”, ressalta Dinarte.

E os ataques à Caixa não param por aí. Além da reestruturação, o banco abriu, no último dia 17, mais um Programa de Desligamento Voluntário. O objetivo é reduzir o quadro de funcionários em cerca de 5,5 mil pessoas. No primeiro semestre do ano, um outro programa de demissão eliminou 4,6 mil empregos.

“Ou seja, podemos terminar o ano com 10 mil bancários a menos na Caixa. Vale lembrar que, três anos atrás, o banco tinha 101 mil empregados e, agora, teremos menos de 90 mil. A sobrecarga de trabalho dos bancários e o atendimento precário, que já eram gritantes, vão piorar ainda mais”, conclui Dinarte.

Para o secretário de Bancos Públicos do Sindicato, Renato Brito, embora o acordo coletivo dos empregados da Caixa já tenha sido assinado, é preciso que os sindicatos retomem a mobilização. “Temos de realizar uma Campanha Nacional que apresente uma agenda de lutas intensas contra este desmonte e organize os bancários até para uma greve, caso seja necessário. Nosso grupo vai apresentar esta proposta na Conferência Nacional dos Bancários, que será realizada neste final de semana, em São Paulo. Esperamos que todos os sindicatos entrem nesta luta”, relata Renato.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *