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Porque O ENFRENTE indica a REJEIÇÃO das propostas dos banqueiros

O ineditismo da pandemia do covid-19 no ano de 2020, que inclusive fez com que todos os processos acontecessem de modo remoto – Congressos de bancos, Conferência nacional, assembleias, Negociações – foi a única novidade da Campanha Nacional dos bancários neste ano, já que o resto do script, antidemocrático e sem transparência vem se reproduzindo da mesma forma que nas últimas campanhas.

Os prejuízos aos bancários no último acordo reverberam até hoje (Entrega da 7ª e 8ª hora, desistência de ações coletivas, taxação da PLR na taxa negocial e exclusão de empregados novos de plano de saúde, entre outros).

Estamos no fim do mês de agosto e, pelo que tudo indica, o processo negocial na mesa com a FENABAN e com os bancos públicos se aproxima do fim e com isso as assembleias de aprovação da proposta já estão sendo convocadas.

As propostas são muito ruins. Não garante nem a reposição da inflação de 2020 e volta com a figura do abono. A cláusula de 7ª e 8ª hora que prejudica os bancários continua lá, na Caixa PLR tem teto de 3 salários (o que prejudica os que ganham menos) e propõe um aumento entre 75% e 115% no plano de saúde e o Banco do Brasil ataca o abono e não discute o Performa.

Há ainda outras questões que não estão muito claras, como, por exemplo, a regulação do teletrabalho. Trará algum benefício para o trabalhador ou servirá apenas para dar segurança jurídica aos bancos?

Obviamente que a Pandemia de fato também trouxe novos desafios, pelo necessário isolamento social, pela virtualidade dos atos, pela crise econômica aprofundada e por um governo que elegeu os trabalhadores e seus direitos como inimigos.

Mas a inclusão da categoria na construção e definição das negociações nunca esteve nesse roteiro. Em 12 rodadas de negociações com a FENABAN não houve assembleias nem debates com os bancários sobre as propostas.

Os fóruns da categoria, organizados remotamente, ao invés de abrir a participação geral dos bancários foram ainda muito mais restritivos e sem debate sobre a organização do movimento. Nessa campanha as atividades de mobilização da categoria foram exíguas, dando-se importância central a twuitaços.

E mesmo assim, de uma hora para hora, banqueiros iniciam um processo de retirada dos “bodes”, e o que era muito ruim começa aparecer como menos pior, dando a falta impressão de que houve avanços. Ou seja, parece que a tática é: vende-se as dificuldades para entregar facilidades. Os banqueiros iriam retirar tudo, mas depois, resolvem manter e os sindicatos cantam vitória!

Vale lembrar que os bancos mantiveram sua lucratividade em meio a maior crise econômica nos últimos 90 anos, às custas do aumento da cobrança das metas, do assédio moral, e com a economia bilionária das despesas, com o aumento das demissões, fechamento de agências e o homeoffice.

O déjà-vu de 2018, quando todos foram para as assembleias e votaram sem nem saber o que se estava aprovando, como a questão da compensação da 7ª e 8ª hora, economia de bilhões do passivo trabalhista dos banqueiros como comemorou o representante da FENABAN em reportagem do Valor Econômico à época, está diante dos nossos olhos.

O acordo daquele ano era tão nocivo que ficou meses escondido dos trabalhadores, que não conseguiam acessar em nenhum site de sindicatos o que de fato tinha sido acordado.

A falta de transparência tem sido agravada pela situação virtual, as assembleias na verdade são grandes referendos, sem garantir a participação de todos os bancários por conta da limitação dos aplicativos utilizados, sem espaços para debates sobre as divergências.

E a redação das demais cláusulas? Homeoffice e sua infinidade de problemas, a questão da 7ª e 8ª se renovada da mesma forma praticamente enterrará de vez a jornada de 6h, porque em 2022 completarão 4 anos com a regra da compensação. E na justiça do trabalho só se pode reivindicar os últimos 5 anos trabalhados. E a questão do Saúde Caixa, essa negociação atual, com reajuste da mensalidade em até 95% é realmente justa e melhor? E tudo corroborado com o discurso do fim da Ultratividade.

Quando os bancários se organizavam para enfrentar os banqueiros, nunca tivemos legislação a nosso favor. A única garantia que sempre tivemos foi nossa mobilização e luta unitária. A Ultratividade só foi incorporada ao mundo jurídico na súmula 277 do TST. Ou seja, outro dia mesmo. E por que agora, toda a pressa, urgência, falta de debates e transparência porque a Ultratividade acabou?

A resposta é que optou-se em fazer a campanha nacional dos bancários sem os bancários.

Não podemos dizer com isso que a luta era fácil. Não foi. Mas a categoria em luta sempre foi vitoriosa e não ficou devendo nada a ninguém. E caso essa possibilidade seja inviável, são os bancários que têm que decidir. E os banqueiros sabendo disso, acabam se aproveitando das dificuldades da conjuntura e dessa opção desmobilizadora.

Ganhar ou perder faz parte do “jogo”. Da correlação de forças que se constrói.

Mas sem luta é impossível ganhar!

Por tudo isso, o Enfrente coloca-se CONTRA as propostas da FENABAN e dos Bancos públicos e conclama todos os bancários e bancárias a rejeitar essas propostas e iniciar imediatamente uma greve da categoria para arrancar avanços que respeitem os trabalhadores!