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Por que o EnFrente apostou na construção de uma chapa de unidade no Congresso da Contraf-CUT

A conjuntura é extremamente difícil com a aprovação da reforma trabalhista e da terceirização sem restrições que promovem o desmonte da CLT e fazem um ataque direto à organização sindical e à negociação coletiva. A implementação a ferro e fogo da agenda neoliberal só é possível com o aprofundamento do Estado de exceção, que começou com o golpe contra a presidenta Dilma e ganha nova escalada com a prisão do presidente Lula depois da condenação sem provas.

Para defender os interesses da classe será fundamental a construção da unidade entre nós. O fortalecimento da Contraf-CUT tem um papel estratégico na organização e defesa da categoria bancária. Esse foi o princípio que orientou o EnFrente na construção de uma chapa de unidade no 5º Congresso (realizado de 6 a 8 de abril), com representação de todas as forças cutistas.

Construir a unidade, porém, não significa eliminar as diferenças. Antes, é preciso assegurar que as diferentes posições e propostas sejam apresentadas e discutidas nos sindicatos, federações e na confederação, tendo em vista renovar nossa ação sindical, ampliar a representação, defender as conquistas e ampliar direitos. A unidade é uma questão estratégica para a classe trabalhadora.

Mas esse é apenas um primeiro esforço. Todas essas questões apontadas precisam ser tratadas e avançar. Mais debates, transparência, democracia interna e a horizontalização das estruturas de poder serão vitais para reaproximar os trabalhadores de suas entidades sindicais. Vamos precisar de todo mundo para enfrentar os próximos desafios, incluindo os efeitos das tecnologias disruptivas e o surgimento desse novo setor baseado 100% em tecnologias.

Nesse sentido, é preciso fazer uma avaliação e reconhecer que tivemos graves problemas na última gestão de desrespeito à democracia, como o EnFrente vem alertando, o que compromete a organização e o fortalecimento da categoria. Práticas como o esvaziamento do papel dos fóruns de debates e de decisão, falta de transparência e alteração de regras em desacordo com valores e princípios CUTistas e a exclusão de setores não cutistas fragilizam a Contraf.

Neste 5º congresso faltou um balanço aprofundado da gestão que enfrentasse essas questões. A ausência de um texto guia que orientasse a discussão e a falta de discussão sobre o difícil, mas rico momento político, social e econômico, dos debates e deliberações, também são identificados pelo EnFrente como uma grave deficiência. Será fundamental que essas práticas sejam alteradas e se volte a fortalecer a democracia interna e a valorização dos fóruns. Na próxima gestão, será necessário construir um amplo processo de debate desde a base, passando pelos sindicatos, federações e confederação.

Por fim, será fundamental que os dirigentes estejam presentes na base, nos locais de trabalho, trazendo as dificuldades enfrentadas pelos bancários e suas expectativas para o centro do debate, na construção dos processos de negociação coletiva e mobilizações que serão um grande desafio no próximo período, lembrando que a próxima campanha nacional dos bancários será também a primeira após o acordo de dois anos e da aprovação da reforma trabalhista.

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