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Onde foi parar a solidariedade classista dos bancários

É fato que a Campanha Salarial dos Bancários de 2020 é “sui generis”, tanto pelo fato de seu transcurso se dar durante uma Pandemia, quanto pelo comportamento isolado e antissolidário do movimento sindical bancário.

Em matéria intitulada “Fenaban propõe acordo para dois anos com reajustes e sem retirar direitos” veiculada no link: https://contrafcut.com.br/noticias/fenaban-propoe-acordo-para-dois-anos-com-reajustes-e-sem-retirar-direitos/  no subtítulo –“Outras categorias” pode-se constatar, em primeiro lugar, a falta de empatia; e, em segundo  lugar, o julgamento de “outros” sem colocar em evidência todas as circunstâncias, intervenientes e detalhes das condições especiais pelas quais passam duas categorias, de empresas públicas, únicas e históricas.

COMO CLASSIFICAR ESTE COMPORTAMENTO

Segundo o item h, do inciso II do art. 4º, do Estatuto da CUT, está entre os compromissos fundamentais: “promover a solidariedade entre os/as trabalhadores/as, desenvolvendo e fortalecendo a consciência de classe, em nível nacional e internacional”; assim, o que vemos aqui contraria este compromisso e indica a total falta de solidariedade e, pior ainda, uma exposição parcial dos problemas enfrentados por outras categorias para se promover perante a categoria bancária.

Assim, a conduta de não respeito à solidariedade está no fato de se tentar menosprezar a luta de outras categorias, como se a campanha e a negociação dos Bancários fossem melhores do que aquelas, sem, contudo, traçar paralelos com as peculiaridades de cada categoria.

VAMOS EXPLICAR:

Substrato – 1

“Nas negociações com seus funcionários que ocorrem simultaneamente à d@s bancári@s, a Petrobras propôs acordo de dois anos, sem reajuste agora e correção pelo INPC apenas em 2021. Os sindicatos da categoria defendem o acordo com a empresa.”

Esclarecimentos e observações sobre omissões e inverdades:

  • Na situação dos Petroleiros, que possuem duas Federações que negociam, a Federação Única dos Petroleiros/CUT (FUP – congrega 13 sindicatos) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP -congrega 5 sindicatos), enquanto a FUP indica a aprovação do acordo, a FNP indica a rejeição;
  • Para a FUP, a manutenção por mais dois anos do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), com “garantia de emprego até 31 de agosto de 2022”, foi o ponto decisivo para a definição do indicativo;
  • A FNP indica a rejeição da proposta de dois anos, que pode ser usada pela empresa para impedir a luta dos petroleiros contra a privatização. Outro grave ataque é a proposta para a Assistência Médica de Saúde – AMS, que aplica a resolução 23 da CGPAR, mesmo com liminar que impede este mecanismo nas bases da FNP, que propõe um reajuste médio que pode chegar a 263% em dois anos e para os aposentados reajustes que chegam a 883%.

Substrato – 2

“Outra categoria com negociações de âmbito nacional, a dos trabalhadores dos Correios será julgada no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A empresa não apresentou proposta de reajuste salarial, excluiu 70 cláusulas do acordo coletivo, entre elas, licença-maternidade de 180 dias, pagamento de adicional noturno, horas extras, indenização por morte. Também foi retirado o auxílio para filhos com necessidades especiais.”

Esclarecimentos e observações:

  • A categoria dos ECTistas (denominação para trabalhadores dos Correios), também possui representação de duas Federações: a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores de Trabalhadoras dos Correios –(FINDECT – congrega 5 sindicatos)  e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares/CUT (FENTECT – congrega 31 sindicatos);
  • A greve, que completará duas semanas nesta segunda, 31/08/2020, é contra a suspensão de cláusulas do acordo coletivo firmado no ano passado por decisão do TST, devido à apelação da direção da ECT ao STF, que resultou na liminar concedida por aquele Tribunal, suspendendo a cláusula de validade por 2 anos do Acordo arbitrado pelo TST;
  • A verdade é que não estava prevista nenhuma campanha salarial dos Ectistas em 2020. Mesmo assim, eles tiveram coragem de lutar contra uma decisão “maluca” do STF.

O QUE ESPERAR DE UMA DIREÇÃO CLASSISTA

Com que legitimidade a direção do movimento bancário pode apontar o dedo crítico, ignorando inclusive uma série de outras categorias (metroviários, metalúrgicos) e até trabalhadores de plataformas (aplicativos), que apontaram a luta como a superação das tentativas de retiradas de direitos e/ou conquistas de novos direitos (caso dos motoboys), enquanto só se apontava atividades virtuais como twitaços? Como julgar os argumentos nada plausíveis sobre o fim da ultratividade para defender acordo sem reposição integral da inflação em 2020, trazendo de volta os abonos salariais que nos anos 90 achataram salários e sem apresentar nada sobre garantia de empregos, em meio a milhares de demissões?

Então, antes de “cantar loas” para esta negociação de uma das categorias fundantes da Cut, que acabou de completar 37 anos, seria preciso resgatar o sentido da luta de classes e da solidariedade entre todos os trabalhadores, do campo e da cidade, para que pudesse ser formada uma verdadeira resistência.

Além da falta de solidariedade por parte da cordenação dos bancários, faltou primordialmente verdade e transparência para com sua própria categoria. Espera-se que, apesar da burocracia, da verticalização e do hegemonismo de parte do movimento sindical bancário, os trabalhadores sejam colocados no centro dessas lutas.

2 respostas em “Onde foi parar a solidariedade classista dos bancários”

Parabéns. Vocês do Enfrente como sempre prezando a ética como balizador das atitudes do grupo/associacao/tendência
Infelizmente as pessoas que deveriam representar a categoria bancária estão destruindo tudo que foi construído por anos de lutas dos Bancários como as ações de sétima e oitava hora, substituição e etc.
Mas a história vai dizer que estivemos do lado certo.

Jorge Shima
Bancário do Banco do Brasil

Precisamos de união para enfrentar os ataques do governo aos trabalhadores com objetivo de privatizar grandes empresas como Banco do Brasil, Caixa Economica Federal e Petrobras.

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