Eduardo Araújo

O Banco do Brasil afirma que a proposta para a Cassi possui limite de 7,5% no total de contribuições do titular e dependente, mas o que ele não informa é que as coparticipações não estão inclusas nesse cálculo e que elas são responsáveis por R$ 145 milhões da arrecadação da Cassi.

A coparticipação é uma conta redutora de despesa e, portanto, não é contabilizada como receita. Embora não incluí-la no cálculo de contribuições não seja errado, o fato de ignorá-la na discussão de participação dos associados no pagamento das despesas é um omissão grave.

As coparticipações referentes a exames são de 10%, com limite de 1/24 e as decorrentes de consultas, psicoterapias, visitas domiciliares e sessões de acupuntura não possuem teto, conforme o artigo 10 do Estatuto. Se é verdade que a coparticipação atinge quem mais utiliza o plano, também é verdade que ela atinge quem mais precisa do plano. Sabemos que os custos de alguém doente é alto tanto do ponto de vista social quanto financeiro e a coparticipação vem para agravar esse estado.

Para piorar, a arrecadação da coparticipação está diretamente ligada à inflação de preços de mercado, fazendo com que os reajustes sejam aplicados diretamente a todo o momento na contribuição do funcionário.

Se considerarmos, então, o teto das coparticipações no cálculo do novo modelo, a contribuição do funcionário pode chegar a 12% do seu salário (com renda menor e dois dependentes) e não a 7,5% como dito nas propagandas do BB. Basta fazer o cálculo, com base nos seus extratos anteriores da Cassi ou do espelho.

É importante lembrar que a elevação dos percentuais de coparticipação não dependem de consulta ao corpo social, podendo ser aprovado internamente. Com os votos da Diretoria Eleita do Banco – Srs. Satoru e Faraco – essa mudança não sofreria objeção.

Bom lembrar que o Sr. Satoru conduziu há poucas semanas uma tentativa de aumento das coparticipações de 30% para 40% em consultas e de 10% para 20% em exames. Quem garante que essa proposta não foi apenas adiada?

O Sr. Satoru, ao não defender os interesses dos associados, perde a oportunidade de encerrar a contribuição por coparticipação, a exemplo do modelo do Cassi Família atual e dialogar de forma transparente com seus eleitores, ao invés de tentar enganá-los.

Eduardo Araújo é presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília

Publicado por Enfrente

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