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Manter a CCT e avançar nas conquistas

A Campanha Nacional dos Bancários de 2018 entra na reta final das negociações com a Fenaban. Nas duas primeiras rodadas (28 de junho e 12 de julho), foram discutidos o calendário e a assinatura do pré-acordo para garantir a extensão da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) até que a próxima seja acordada e assinada. Na terceira rodada, dia 19, discutiu-se saúde e condições de trabalho. Na quarta-feira dia 25 foi a vez do tema emprego, e no dia 1º de agosto vai pra mesa o debate sobre as cláusulas econômicas, aí incluído o aumento real de 5%, conforme decisão da 20ª Conferência Nacional dos Bancários.

De positivo até agora na campanha merecem destaques a manutenção da mesa única e da unidade nacional e o compromisso assumido pela Fenaban de renovar a CCT. Mas preocupa a baixa intensidade de mobilização da categoria até agora e a nossa estratégia de negociação.

Sempre tivemos clareza de que essa campanha, a primeira depois da reforma trabalhista e da aprovação da lei da terceirização, seria disputada numa conjuntura muito difícil, de grave crise econômica e ataques aos direitos dos trabalhadores desfechados pelo governo ilegítimo para cumprir seus compromissos com o grande capital – o mercado financeiro à frente – que o colocou no poder.

E isso às vésperas da eleição presidencial mais imprevisível desde a redemocratização, em que a direita golpista se realinha em torno da candidatura Alckmin, a extrema-direita (Bolsonaro) continua forte e a esquerda está dividida e correndo o risco de ter o seu mais forte candidato (Lula) inviabilizado, em mais um golpe dentro do golpe capitaneado pelo consórcio grande capital/judiciário/mídia monopolista.

Mas o alto grau de incerteza e de instabilidade quanto ao rumo do país, com o grande capital sem um candidato forte em condições de vencer nas urnas, também torna o quadro difícil e complexo para o sistema financeiro, que deveríamos explorar na Campanha Nacional deste ano.

Não se justifica a forma recuada e tímida como muitas lideranças do movimento sindical têm apresentado tanto a leitura do cenário como das negociações até aqui com a Fenaban.

Desde a realização dos encontros de bancos e a Conferência Nacional, sem espaços para debates, nos parece que a “grande” e única intenção dessas  lideranças é manter a CCT. O que não é pouca coisa, nem menos importante, de fato.

Mas se considerarmos alguns dados da própria conjuntura é possível avançar e ir além desse limite. Senão, vejamos:

  • Lucros dos bancos. Além dos resultados positivos astronômicos (os 5 grandes tiveram R$ 77,4 bilhões em 2017, aumento de 33,5%), os bancos alcançam novos recordes de lucratividade. Só isso já justificaria uma campanha mais afirmativa e ousada em busca de novas conquistas.
  •  A greve dos caminhoneiros, independente da discussão se foi locaute ou não, demonstrou que a mobilização dos trabalhadores é o único caminho possível pra enfrentar e ter alguma conquista diante desse rearranjo das forças reacionárias.
  • A inflação está com tendência de alta para o próximo futuro, inclusive por possíveis pressões no câmbio. Tem sido uma estratégia equivocada aceitar discutir abonos, que não asseguraram sequer a recomposição da inflação passada. E com a possibilidade real de uma maior corrosão do valor de compra dos salários, obriga as direções a exigir, além da inflação passada, aumento real de salários, que no nosso caso está aprovado o percentual de 5%.
  • A pesquisa realizada com a categoria apresentada durante a Conferência Nacional já mostrava que 25% dos que responderam apontavam a manutenção das conquistas como um dos itens mais importantes, mas para 23% o aumento real de salários era o ponto mais importante.
  • Nem os bancos estão fazendo da manutenção da CCT um cavalo de batalha, ao contrário do que se imaginava. Até o presidente da Fenaban, Murilo Portugal, no ato de entrega da pauta de reivindicações rasgou elogios à CCT e à importância do processo negocial. É uma postura que os bancos vêm mantendo na mesa de negociação. Não cabe às direções, particularmente à Contraf, exagerar na dramatização dos riscos que os direitos conquistados correm por conta da reforma trabalhista. Também aos bancos interessa manter a CCT, uma vez que representaria um custo financeiro e humano altíssimo pulverizar as negociações em todo o país.

Avaliamos que a categoria não se mobilizará para manter o que já tem. Somente se convencermos a lutar por algo mais ela se colocará em marcha junto com os dirigentes e sindicatos.

  • É preocupante o calendário divulgado, sem iniciativas de mobilização junto à categoria, uma vez que também é público que a Fenaban pretende responder com uma proposta global às nossas reivindicações a partir de 1º de agosto. O que será feito a partir dessa data, ainda em agosto, uma vez que o período legal para realização de uma possível greve é a partir de setembro?

Por isso, a Frente Nacional de Resistência e Ação Bancária (EnFrente) propõe que o eixo principal da campanha de “nenhum direito a menos” seja redirecionado para “queremos direitos a mais”, já que para os bancos isso é plenamente possível. Precisamos resgatar, para além do aumento real, a questão da valorização dos pisos e da incorporação de novas conquistas, além dos debates relativos à manutenção do emprego.

O EnFrente entende que somente assim será possível mobilizar a categoria  e conquistar uma vitória nessa campanha, cujo resultado terá impacto (positivo ou negativo) na campanha eleitoral de outubro

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