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Libertadores: Quando um nome é mero apelido

A América Latina está em chamas. Suas veias estão abertas. José Martí e Simon Bolívar? Ora, bolivariano virou palavrão por aqui! A Bolívia, cujo nome é uma homenagem à sua resistência ao império colonial, virou o que virou.

Estamos em um momento ambíguo. De um lado, uma América que reage à trágica, ainda que aparentemente não, experiência neoliberal, que é o caso do Chile e, em menor intensidade, da Colômbia; de outro, países que experimentam os reveses para sua implantação tardia e anacrônica.

Triste mesmo é constatar o papel do Brasil como feitor nesse contexto. O Brasil se tornou um lacaio por excelência, um entreguista regional a serviço do “império colonial”. Não participamos da Conferência de Guayaquil, em 1822, e parece que continuamos mesmo falando uma “outra língua” na América Latina.

Depois do Canadá, vizinho, e da Grã-Bretanha, berço dos EUA, somos o país que mais manda turistas para a Disney. Sabemos mais, muito mais, do Mickey e do Donald do que dos libertadores da América. É a América bajulando a “América” contra a própria América.

O Capitão América sobrevoa a América austral. Ele já havia investido contra a América Latina quando quis (e ainda quer) fazer do seu escudo um muro na divisa com o México. Por aqui, no Brasil, fez suas investidas, pesadas, aliás. Deu certo. Temos um Chicago’s boy no lugar onde o Capitão queria. Para isso, eles forjaram um outro capitão, um simulacro de patente menor, muito menor, que bate continência à sua bandeira e cujos simpatizantes prestam continência a uma estátua da liberdade fake! Como tal capitão era des-historializado, denominaram-no “mito”. E, acreditem, a colônia acreditou!

A ironia toda é que ganhamos de um time chamado “River Plate” da mesma terra dos Vélez Sarsfield, Newell´s Old Boys e Banfield, ou seja, a Argentina. Isso para não falar do Boca Júniors, cujo nome deriva do bairro de La Boca. O “Júniors” foi só para dar um charme britânico. Britânico é aquele povo que esmagou a Argentina na guerra das Malvinas, em 82, com o apoio, claro, do Capitão América, e que até hoje não desce na garganta de los hermanos.

E será contra os britânicos que o Flamengo vai jogar a decisão do Mundial. O império colonial versus a colônia imperial. Champions League versus Conmebol. Beatles versus Bossa Nova. Os meninos de Liverpool versus os garotos da Gávea.

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