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Em qualquer cenário para 2018, a tarefa urgente é retomar a mobilização popular

O cientista político Luís Felipe Miguel, da UnB, fez uma curta e aguda análise em sua página no Facebook de como vislumbra a conjuntura política em relação às eleições do próximo ano. Confirma.

Três cenários para 2018:

(1) Com eleição e com Lula. Mesmo com o jogo pesadíssimo que virá, Lula é o favorito. A questão é saber o que será o seu governo. O golpe mostrou que as condições para reeditar o pacto lulista estão aviltadas; Lula seria constrangido a adotar políticas compensatórias no quadro institucional dado pelos retrocessos de Temer. A única maneira de combater essa situação é com a pressão popular, reequilibrando a relação de forças e fazendo com que o realismo político de Lula tenha que levar em conta não só as exigências das classes dominantes, mas também do campo popular. Em suma: diante deste cenário, a tarefa urgente é retomar a mobilização popular.

(2) Com eleição e sem Lula. Amplia-se o risco da eleição de um candidato de direita. A viabilidade eleitoral do substituto de Lula, provavelmente Haddad, é uma incógnita. Ademais, Haddad tem fortes incentivos para enfatizar seu perfil de classe média moderada, transitando como candidato da “civilização”, muito mais do que da esquerda, e ganhando apoios onde Lula tem maior rejeição. Se ganhar a direita, enfrentaremos mais uma rodada de retrocessos e precisamos ampliar a capacidade de resistência. Se ganhar alguém com o perfil de Haddad, é preciso reforçar a possibilidade de um compromisso popular na administração. Em suma: diante deste cenário, a tarefa urgente é retomar a mobilização popular.

(3) Sem eleição – com o aprofundamento do golpe por meio do parlamentarismo ou outra manobra. É a opção por uma política que recuse qualquer possibilidade de influência das camadas populares – portanto, prosseguindo ad eternum com o que é o governo Temer. Mais do que nunca, só a resistência nas ruas poderá impedir a destruição dos direitos que nos restam, o sucateamento total do Estado e a desnacionalização completa da economia. Em suma: diante deste cenário, a tarefa urgente é retomar a mobilização popular.

Parece que, como diriam meus amigos da teoria dos jogos, temos uma “estratégia dominante”. Em qualquer cenário, o campo popular tem que recuperar a capacidade de enfrentamento.

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