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Em Dia Nacional de Luta, empregados da Caixa cobram valorização e respeito a direitos

Enquanto os bancários da Caixa Econômica Federal faziam em todo o país um Dia Nacional de Luta por valorização e respeito aos seus direitos ameaçados pela reestruturação, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) manteve nova rodada de negociação da mesa permanente com a direção da empresa, em Brasília, na qual reafirmaram o posicionamento da categoria contra a reestruturação e a ampliação do programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) e em defesa da revogação do RH 037, que abre espaço para a contratação de bancários temporários, pela contratação de mais empregados e em defesa da Caixa 100% pública.

“As negociações não evoluíram em relação às rodadas anteriores, mas pelo menos dessa vez os representantes da Caixa assumiram o compromisso de trazer várias respostas na próxima rodada de negociação. O Jurídico da Caixa continua com sua posição legalista, tentando impedir que as negociações evoluam”, avalia Wandeir Severo, representante da Federação dos Bancários do Centro Norte (Fetec-CUT/CN) na Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa.

Na abertura da mesa, a Caixa apresentou a sua nova coordenadora da mesa de negociação, Tereza Cristina.

REESTRUTURAÇÃO

Na sequência, os representantes dos empregados fizeram protesto veemente contra a reestruturação e a insegurança que está gerando, com extrema insatisfação entre os trabalhadores. Foi um debate longo, com momentos de rispidez.

A justificativa da reestruturação por parte da empresa é a modernização em busca de maior eficiência, alegando que os empregados não sofrerão prejuízo.

“Recolocamos toda a incerteza que permeia o processo. A insegurança quanto ao futuro que os empregados denunciam. A falta de informações e clareza no processo. Há mais coisas ditas informalmente de que oficialmente e falta transparência”, afirma Wandeir.

A Caixa disse que os comitês de realocação resolverão as questões individuais, ouvindo os empregados.

Os representantes dos trabalhadores denunciaram as exclusões dos colegas lotados nas áreas em reestruturação nos PSI e a Caixa se comprometeu em verificar.

Foi debatida a terceirização no atendimento da Saúde Caixa, como consequência da reestruturação. A empresa afirmou que visa o melhor e mais eficiente atendimento aos beneficiários e que pretende levar adiante, alegando, também, adequação à normas da ANS.

Por fim, a CEE/Caixa solicitou que a empresa abra os dados, como todas as áreas envolvidas, modificadas, criadas e extintas, os empregados envolvidos e quantidades de funções modificadas, tiradas, criadas, etc. Também cobrou que a Caixa faça esse debate com os empregados na mesa de negociação antes de aplicar as fases e processos da reestruturação.

“Portando, devido às inseguranças geradas e a ausência de debate adequado com todos os trabalhadores da Caixa, reivindicamos o fim da reestruturação”, sintetiza Wandeir.

GDP

A Caixa afirma que os acordos individuais serão feitos apenas formalizando o que o empregado já faz e dentro das atribuições previstas nas normas, diretamente e pessoalmente com o gestor. E que estão vedadas as mensagens eletrônicas tipo SMS e semelhantes.

Houve um longo debate sobre a obrigatoriedade do acordo. A Caixa afirma que não é obrigatório, porém reconhece que o empregado que não fizer sofrerá prejuízos, por exemplo, na pontuação para possíveis PSIs. A empresa diz ainda que todas as informações e orientações estão em diversos formatos (audiovisuais) no portal de desempenho.

Os representantes dos trabalhadores insistiram no risco (que está se tornando fato) de o GDP ser utilizado como ferramenta de assédio moral. E que as orientações e consequências deveriam ser mais claras e objetivas, continuando com posicionamento contrário ao processo.

A Caixa se comprometeu a reforçar e esclarecer as orientações, colocando à disposição um canal para denúncias dos sindicatos e federações sobre a GDP.

INSALUBRIDADE DOS AVALIADORES DE PENHOR

A CEE/Caixa reivindicou que continue pagando a insalubridade e a Caixa pediu prazo para resolver a questão definitivamente até a próxima reunião da mesa permanente. A Caixa aceitou e o assunto voltará definitivamente na próxima rodada.

DIAS DESCONTADOS DAS GREVES GERAIS

Caixa permanece com a posição de descontar os dias dos empregados que participaram das greves do dia 28 de abril e 30 de junho.

Foi um longo debate sem avanços, envolvendo o não desconto, não reflexo no fim de semana, na carreira, liminares e até greve fora de data-base e lei de greve.

“Resultamos num novo compromisso da Caixa em trazer uma solução para resolução definitiva já na próxima rodada”, informa o representante da Fetec-CUT/CN na CEE Caixa.

NORMATIVO RH 037 SOBRE BANCÁRIO TEMPORÁRIO

Os dirigentes sindicais reafirmaram o posicionamento pela revogação definitiva desse Manual Normativo, que é nocivo à Caixa e aos empregados. Os representante da empresa disseram que a Caixa não pretende retomar esse tipo de contratação.

A CEE/Caixa voltou então a questionar o porquê da não extinção, já que não há intenção de utilizar.

PDVE

A Caixa disse que não tem os números finais de adesão ao plano e reafirmou que não pretende contratar empregados para reposição, não havendo nenhuma novidade e nenhum avanço no tema.

VERTICALIZAÇÃO     

Ficou para a próxima reunião da mesa permanente.

AGÊNCIAS DIGITAIS   

A Caixa informou que pretende implantar as agências digitais definitivamente até dezembro em Brasília, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, onde já funcionam os planos pilotos.

FECHAMENTO DE AGÊNCIAS  

Após questionamentos e cobranças veementes dos representantes dos empregados, que insistiram que o assunto tem que ser trazido com mais clareza à mesa de negociação, a Caixa alegou que as unidades a serem fechadas serão com base em estudos já em andamento e deverão ser unificadas a outras, visando a melhoria na qualidade de vida dos empregados.

Disse ainda que “unidades deficitárias” não são o único critério, que o encerramento de agências não é a intenção da empresa e que o atendimento e o papel social será considerado, como também o impacto à imagem da Caixa.

Os representantes dos trabalhadores reafirmaram que continuarão combatendo o fechamento de unidades, seja sobre qual pretexto for.

CONTENCIOSO FUNCEF

Os representantes dos empregados entregaram à empresa documento com o estudo sobre o contencioso realizado pelas entidades representativas. A representante da Caixa recebeu e protocolou.

Os dirigentes sindicais cobraram a implantação do Grupo de Trabalho já negociado sobre o tema e que até hoje a Caixa não implantou. A empresa insiste que só participará do GT se a Funcef  participar e alega que o fundo de pensão se nega.

“Cobramos mais uma vez que o debate seja feito de forma ampla e clara, com ou sem a presença dos representantes da Funcef, já que os empregados e a patrocinadora precisam debruçar-se sobre o assunto urgentemente”, informa Wandeir Severo.

FÓRUM DE CONDIÇÕES DE TRABALHO

A Caixa se comprometeu em retomar as atividades do Fórum Nacional de Condições de Trabalho e a implantação dos fóruns regionais onde ainda não houver e dentro das estruturas da gestão de pessoas, em conjunto com os representantes dos trabalhadores.

CAIXA MINUTO 

A CEE/Caixa reiterou o posicionamento pelo fim da prática do Caixa Minuto, mas a empresa insiste que manterá.

DESCOMISSIONAMENTOS

A Caixa afirmou que desde a implantação da reestruturação apenas três pessoas no país perderam a função por descomissionamento sem justo motivo e que a prática será mantida.

“Denunciamos que a prática de descomissionamentos por ato de gestão (motivo 8) tem se tornado corriqueira, o que pode gerar descomissionamentos indiscriminados”, acrescenta Wandeir. A Caixa se comprometeu a levantar e trazer dados para análise.

Em relação ao piloto do novo modelo de atuação dos caixas e tesoureiros, a empresa disse que estão em andamento em apenas três cidades e não há ainda conclusão a respeito. Também afirmou que há um grupo de trabalho na Matriz que está estudando a situação desses empregados.

Sobre contratação de pessoas com deficiência (PCD), mais uma vez a área jurídica não trouxe posicionamento sobre o assunto. “A Caixa insiste no desrespeito à lei e no desrespeito às pessoas que foram aprovadas no concurso bem como a todos os seus empregados, especialmente os com deficiência”, conclui Wandeir Severo.

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