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Diretora do Seeb PE pede renúncia após violenta perseguição do comando da entidade

A violência do comando do Sindicato contra quem ousa discordar de suas ações fez mais uma vítima. Ontem (dia 30), a secretária de Comunicação, Daniella Almeida, entregou sua carta de renúncia e se afastou do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, depois de resistir por mais de dois anos a uma agressiva e despudorada perseguição política e pessoal. 
 
Daniella, que é bancária da Caixa, era diretora do Sindicato desde 2009. “Hoje, oito anos depois, não vejo mais sentido no trabalho que buscava realizar no Sindicato, que agora é comandado por pessoas que não parecem preocupadas com aqueles ideais que me trouxeram aqui”, diz Daniella em sua carta de renúncia.  
 
Os problemas começaram em 2015, com a formação da chapa desta gestão. Com a sensibilidade genuína de quem leu Maquiavel e não entendeu nada, o grupo que hoje comanda o Sindicato almejava o poder absoluto e conseguiu construir uma hegemonia, que acabou com qualquer espaço para contestação dentro da direção do Sindicato. 
 
Daniella, junto com alguns outros diretores que hoje formam o EnFrente, não aceitaram a ditadura que estava sendo gestada no Sindicato e continuaram a fazer a crítica interna sempre que não concordavam com os caminhos que a entidade tomava. 
 
Conclusão: Daniella passou a ser perseguida pelo comando do Sindicato, era hostilizada nas reuniões da diretoria, num assédio tão grande que começou a afetar a saúde da bancária. “Apesar de ocupar um cargo importante na diretoria executiva, não pude sequer cumprir com as minhas atribuições de Secretária de Comunicação, previstas no estatuto da entidade”, conta Daniella. 
 
Como retaliação, a imprensa do Sindicato foi totalmente desmontada pelo comando do Sindicato, com a demissão dos funcionários da equipe e a contratação de uma empresa terceirizada para cuidar da comunicação. Até a gráfica que prestava serviço há anos foi dispensada e outra foi contratada em seu lugar de forma obscura, sem qualquer participação da diretora de imprensa, que era totalmente contra essas mudanças. 
 
“Assim, todas as atividades da Secretaria para qual fui eleita passaram a ser determinadas pela presidência, utilizando-se dos votos de sua maioria na diretoria executiva. Com a terceirização da comunicação, meu cargo se transformou numa espécie de ‘Rainha da Inglaterra’, já que as decisões da minha secretaria não precisavam da minha aprovação, ou sequer da minha opinião”, relata 
 
Daniella resistiu e lutou contra tudo que achava errado dentro do Sindicato, mas acredita que seu limite chegou. “Não quero mais conviver com pessoas que sucumbiram ao poder e, para mantê-lo, passam por cima de valores que sempre me foram caros. Volto à Caixa para retomar a minha carreira com a certeza de que honrei cada voto que os bancários me deram nas últimas eleições, pois não compartilho dos absurdos que hoje são a prática rotineira desta diretoria“, afirma. 
 
Daniella volta a trabalhar no banco sem a comissão que tinha antes de entrar no Sindicato. “Tive uma redução salarial enorme, estou ganhando quase a metade do que recebia. Mas esse prejuízo não é nada diante da perseguição e do assédio que sofri”, diz. 
 
TRUCULÊNCIA – Desde que assumiu o Sindicato, em julho de 2015, o comando da entidade acabou com a democracia que existia na direção e tenta abafar as vozes dissonantes com muita truculência. Assim como Daniella, outros diretores do Sindicato estão sofrendo uma violenta perseguição, que tem impedido esses dirigentes de exercerem seu trabalho sindical. 
 
“O comando do Sindicato tem praticado um assédio de fazer inveja a qualquer banco”, diz Renato Brito, que é secretário de Bancos Públicos da entidade. “Minha função está totalmente prejudicada porque sou boicotado diariamente pela presidência do Sindicato. Nem uma reunião com delegados sindicais eu consegui marcar no Sindicato, porque a presidenta tem impedido a realização deste encontro. E olha que os atuais delegados tomaram posse há seis meses“, diz Renato. 
 
Nos próximos dias, o blog do EnFrente vai detalhar um pouco os problemas que vêm ocorrendo nos bastidores do Sindicato. “O atual comando da entidade, no afã de continuar no poder, está acabando com o Sindicato, que hoje não representa mais os bancários. Em vez de defender a categoria dos pesados ataques que estamos sofrendo dos bancos e do governo, o Sindicato está focando seu trabalho para favorecer os interesses políticos e pessoais do grupo que hoje comanda a entidade”, lamenta Jaqueline Mello, secretária de Finanças do Sindicato e um dos principais alvos da truculência da parte majoritária da direção sindical. 

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