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Bancários de Porto Alegre comemoram os 40 anos da histórica greve de 1979

Os bancários de Porto Alegre comemoraram nesta segunda-feira 9 de setembro, com ato e exibição de documentário na sede do Sindicato, os 40 anos da histórica greve da categoria em setembro de 1979, deflagrada mesmo proibida pela ditadura militar. Naquele mês também houve greve dos bancários em São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades, desafiando a ditadura militar e sinalizando o nascimento do novo sindicalismo brasileiro, que viria desembocar na criação da CUT em 1983.

Na exibição do documentário “Os 30 anos da Greve de 1979”, do diretor Hique Montanari, de 2009, estiveram presentes muitos dos dirigentes sindicais bancários que se destacaram na condução da greve de 1979, que começou no dia 5 de setembro e durou 14 dias. Vários líderes do movimento foram presos, entre eles Olívio Dutra, Felipe Nogueira, Namir Bueno e Ana Santa Cruz.


Dirigentes sindicais que participaram da greve de 1979

O documentário de 38 minutos recuperou em 2009 um diário da greve. Imagens dos piquetes dos bancários, das assembleias, entrevistas dos líderes como Olívio Dutra ilustraram os 14 dias de resistência.

Ana Santa Cruz é mãe do presidente da OAB, Felipe de Santa Cruz, e viúva de Fernando Santa Cruz, estudante de Direito e opositor da ditadura militar sequestrado e assassinado pelos militares em 1974, cujo corpo continua desaparecido. Sem poder comparecer ao ato, enviou uma carta aos bancários, lida na cerimônia por Ademir Wierderkehr, diretor do SindBancários e da CUT RS. O texto da carta é o seguinte:

MENSAGEM DE ANA SANTA CRUZ AOS BANCÁRIOS

“Saúdo aos companheiros e companheiras presentes neste evento, amigos e amigas, de antes e de sempre, cujas vidas foram dedicadas a construir um país democrático e mais justo. Cito nominalmente a todos, destacando o nosso querido Olívio Dutra, a maior liderança da Greve bancária de 1979 e um exemplo de vida.

Quarenta anos se passaram desde aqueles dias incríveis de setembro de 1979, que mesmo diante dos riscos que a Ditadura representava, acreditávamos ser possível construir a democracia no país.

Nos anos em que tudo era proibido, nas lutas, onde muitos foram presos, torturados e mortos, nossos cantos foram ouvidos pela sociedade brasileira, com a qual iniciamos a construção da democracia no país.

Há dez anos estive aqui em Porto Alegre participando da comemoração dos 30 anos do movimento grevista de 1979. Vivíamos anos nos quais os sonhos de uma vida iam se materializando.

Caminhávamos para um país mais igual, onde diariamente um brasileiro ganhava sua cidadania, uma família da Amazônia obtinha luz elétrica, um filho de sertanejo ganhava acesso à educação…

A distância entre a comemoração anterior, dos 30 anos da Greve, e os dias de hoje parecem muito maiores que apenas dez anos. Ainda estamos um pouco perplexos ao assistirmos um Governo cujo objetivo maior e único é destruir e nos destruir. A história, no entanto, irá demonstrar a esses arquitetos da destruição que eles não sobrevivem à luta dos que sonham sem medo de ser feliz.

Diante de tudo isto que estamos passando, penso que devemos nos unir a todos que queiram interromper a ação destes arquitetos do mal.

Na luta,

Lula Livre!

Rio de Janeiro, 8 de setembro de 2019

Ana Santa Cruz”

Veja aqui o vídeo da leitura da carta de Ana Santa Cruz.

Assista aqui ao documentário “Os 30 anos da Greve de 1979”.

E leia aqui histórico da greve publicado no site do SindBancários.

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